Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

O Procurado (2008)


Faz um tempo que não via um bom filme, desses Neo Noir que ninguém dá um centavo, acredito que o último tenha sido o Clube da Luta, que por acaso foi feito por Brad Pitt, marido da coadjuvante principal de O Procurado. O filme é um tapa na cara, mude de vida, encontre-se, deixe de lado a vida pacata de procurar seu nome no Google e ver que não consta nada. Assuma a partir dali, recomeçe, se reinvente, acredito que seja a temática principal do longa. O filme gira em torno da vida pacata de Wesley, um rapaz comum e desperdiçado, como todos nós, responsável pela contabilidade de uma empresa. Cero dia, ele se vê encurralado em aceitar seu destino ou abrir mão de sua própria vida. E então, ele escolhe. Filme de ação com certo conteúdo reflexivo, chama atenção pelas cenas de tiroteio, mas não deixa a desejar quando se trata de ter o que dizer além de um monte de balas e sangue, apesar das cenas mentirosas, carros que voam, pessoas que pulam prédios, entre outros, o filme está na lista dos melhores. Li algo sobre uma HQ de Mark Miller que deu origem ao roteiro, a revista deve ser também interessante.

Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

Nação Fast-Food - Fast Food Nation (2006)





Your Caption Here



Pra começar, o filme tem a Avril Lavigne como ativista descolada que quer mudar o mundo. Calma, pelo menos ela não é a personagem principal. Por um aspecto, Nação Fast Food é um bom filme. A idéia do diretor de englobar a visão de três personagens principais sobre o mesmo fato é, no mínimo, inteligente. O filme retrata o mercado de fast food norte-americano através dos olhos de um dos empresários da companhia, de uma garota que trabalha em uma das lanchonetes da rede e de alguns dos milhares de mexicanos ilegais que trabalham na produção deste mercado. A idéia é ótima, se o filme realmente nos levasse a algum lugar. Apesar de todos sabermos que aquela fábrica está errada e torcer para que tudo aconteça de forma que no final tudo termine bem para nosso mundo, o filme retrata com certa imparcialidade fatos que todos achamos que acontecem nas grandes marcas como Mc Donald's desde contratar mão-de-obra desqualificada até o cara que cospe dentro do hamburguer do cliente. Algumas vezes a realidade se confunde com a ficção, no fundo não conseguimos saber se é uma denúncia ou uma ficção com final decepcionante. Talvez as melhores cenas sejam as últimas, em que uma das mexicanas consegue um emprego no abatedouro. As cenas em que ela caminha até seu posto de trabalho passando por todo o local são tristes e chocantes para qualquer um. Pra finalizar, desmistificou aquele caso do cara que caiu num tanque da Coca-cola e derreteu, indo pra várias garrafas do produto. Na verdade ele perdeu uma perna na máquina, esta caiu junto com a carne e acabou parando num Mc Lanche Feliz. Animal, digo, canibal!

Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

O Orfanato - El Orfanato (2007)

O Orfanato é um filme espanhol de Guillermo Del Toro (O Labirinto dos Faunos). Laura (Belén Rueda) volta ao orfanato onde foi criada para assumir a casa com seu noivo e filho adotivo. A trama começa a tomar forma quando o garoto Símon diz brincar com amigos imaginários e, claro, é ignorado pelos pais até sumir repentinamente, durante uma festa no local. Após alguns meses a família, mesmo com a ajuda da polícia, não consegue encontrar o menino e começa a descobrir fatos assustadores sobre o local. O filme tem um estilo marcante, apesar dos clichês de terror na trama como objetos que quebram repentinamente indicando algo, o longa possui alguns trechos bastante criativos e realmente sombrios como o ranger do gira-gira no quintal da casa. O filme possui uma fotografia inteligente e um final triste/feliz - por favor, não me peçam para explicar - que só assistindo para entender. O Orfanato é um filme clichêzão que trata de crianças, espíritos e uma casa mal-assombrada, tem boas cenas de medo e poucas novidades no roteiro. vários atores novos, inclusive o diretor, o catalão Juan Antonio Bayona, uma vez que Del Toro apenas assina apenas a produção da obra. Mas entre eles um veterano chama a atenção. O ator que interpreta o especialista em paranormalidade é realmente Edgar Vivar, mais conhecido como o Sr. Barriga ou Nhonho do seriado Chaves.

Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

Juventude Rebelde - Kidulthood (2007)

A típica história do Ensino Médio norte-americano. Uma escola pública, um cara que comanda o lugar apavorando outros alunos e provando ser o "maioral". Trife é um garoto comum divido entre diversas vidas: os amigos da escola, sua namorada e seu tio, envolvido com o crime. Entretanto, escolher uma das três pode se tornar a tarefa mais difícil que ele já teve. É um filme bacana, com as piegas dúvidas adolescentes, mas se torna um pouco mais interessante por se tratar de sentimentos da juventude de bairros pobres. Como sei que você provavelmente não vai assistir, a história toda acaba culminando em uma tragédia que joga tudo de volta ao ponto de onde começou, mas claro, o filme termina aí. Sem muitos pontos positivos, mas algumas sacadas legais, quando um dos personagens tenta se envolver com uma mulher mais velha e, ao ver que não vai dar em nada, resolve roubar a carteira da moça. Engraçado, pra não dizer bizarro. É um filme sem final feliz, para o pavor dos aficcionados em blockbusters. As cenas finais lembram muito essas reconstituições de crimes que aparecem no jornal. Tudo bem, sem mais metáforas por hoje. Não vale muito a pena, mas atenua lados marcantes da sobrevivência nas ruas, brigas, intrigas e possui alguns trechos de bastante reflexão, quando alguns garotos começam a pensar como adultos e passam a tomar decisões, ainda que estas interfiram no resto de suas vidas. Po, ficou com cara de romance, não?

Sangue Negro - There Will be Blood (2007)

Daniel Plainview é um minerador que, por acaso, descobre petróleo em suas terras. Isso em 1898, no Novo México. Um homem de sua equipe morre em um acidente, deixando para trás um bebê sozinho, que acaba por ser adotado pelo minerador. Agora homem do petróleo, como se auto-intitula, Daniel arrenda junto ao seu "filho" infinitos hectares de terra, pagando injustamente, é claro, as famílias residentes dos locais onde o petróleo de certo valeria muito dinheiro. Faz uma pose de homem de família ao levar o menino em todas as suas reuniões. Seu poder e fama o tornam então um dos maiores produtores de petróleo, com sua história de empreendedorismo, valentia e hostilidade. O que lhe falta, entretanto, é a essência familiar. O diretor Paul Thomas Anderson acertou neste épico com final poético e inconsequente. Dizem muito sobre seus trabalhos, até o comparam com Orson Welles, mas segundo o Marcelo Hessel, do Omelete isto é só a mais nova balbúrdia de Hollywood (leia). Sangue Negro é cheio de frases carregadas, cenas fortes e músicas estranhas. No final, acaba sendo um ótimo filme. Talvez pelo absurdo contraste criado entre ter tudo o que o dinheiro pode comprar e não ter nada o que as relações humanas podem lhe oferecer.

Quarta-feira, 23 de Julho de 2008

Paranoid Park - Paranoid Park (2007)

É um tipo de KIDS para quem ouve Björk e Nick Cave e gosta de viajar com cenas em câmera lenta, e vê tudo isso como "mó brisa, tá ligado". Alex é um skatista de 16 anos, com uma namorada, amigos e uma vida comum. Narrando sua própria história, como em uma carta de desabafo, o garoto conta sobre sua vida, sua namorada e o sentimento de culpa que carrega pelo seu envolvimento com um crime próximo à pista de skate que andava. É um filme bastante depressivo, sobre como esquecer uma dessas coisas que você jamais queria ter feito na vida. Uma fotografia excelente, talvez a melhor recomendação que posso dar sobre esse filme. Dizem que o diretor Gus Van Sant tem essa pegada sobre visões fotográficas e reflexivas. Dele, me lembro apenas de Procurando Forrester, de 2000, sucesso absoluto no Intercine. Paranoid Park é um filme com poucas falas e muito abstracionismo. Tive de assistir umas oito vezes até entender o que estava querendo me dizer. Portanto prepare-se para uma hora e meia de leseira absoluta no sofá da sala. Ah, a trilha sonora é excelente com Eliot Smith, Beethoven e vários ambient music bacanas. Na minha vaga opinião, o que faltou mesmo foi contexto, encenações mais forte dos personagens, falas contundentes, mesmo se tratando de adolescentes. Tá certo que muitas vezes dá pra sentir a dor do moleque só de olhar a cara de tacho dele. Pensa muito e fala pouco. Paranoid Park é um filme sobre amadurecimento e depressão. É Culteen, pronto, criei outro movimento.

Terça-feira, 22 de Julho de 2008

Mercy, Dercy!

Lembro do recente centenário de Dercy Gonçalves da mesma forma que lembro do milésimo gol do Pelé e do Romário, para deixar uma analogia crassa, das que gosto de fazer. Hoje, especialmente, vou falar sobre Dolores Costa Gonçalves, a Dercy, que encantou gerações inteiras em seus filmes - acreditem, ela era uma mulher atraente - mas que a mim, e a muitos de minha geração, trazem recordações daquele antigo jogo da velha do Faustão, com pessoas famosas. Quem se lembrar toma café com a Xuxa:

Era uma atriz que não simplesmente falava palavrões, ela também xingava (ps.: alguém assistiu ao CQC ontem?)! Brincadeiras à parte, aparentava ser cheia de vida como poucas pessoas são. E em seus últimos anos de vida vinha participando de diversos programas e shows, para marcar sua história que vai além de uma atriz consagrada: Aos 101 anos, Dercy Gonçalves era a atriz mais velha em atividade.

Buscando um pouco sobre a vida de Dercy, conhecemos a história da dramaturgia brasileira, além de nos depararmos com a diferença brutal entre os tempos hoje e o século XX. Ela foi perseguida, chamada de prostituta, entretanto, sempre afirmou e bateu o pé dizendo que, em sua vida, jamais se arrependeu, ou se queixou do que fez. Em frase dela: "Meu século foi muito digno. As famílias eram famílias, a polícia era polícia. Hoje, não tem mais nada."

Para fechar, segue este samba-enredo da Viradouro, em homenagem à atriz.

Bravíssimo – Dercy Gonçalves, O retrato de um povo
Ah! Obrigado Dercy,
Mercy, Dercy !
Abriu-se as cortinas pro seu show
São cinco letras a sorrir
De Madalena pra Sapucaí
Um dia
Lá no trem da esperança
Vai o sonho de criança
Descendo a serra
Tão lindo e feliz
A luz então brilhou
O palco se acendeu
O show vai começar
Na Casa de Caboclo
A menina deslumbrou (ôô, ôô)
E no seu primeiro ato
O sucesso abriu os braços pra você

Brilhante no teatro de revista
Em cena o talento de Dercy
Da comédia à piada
Com humor e gargalhada
Eu vou me acabar (quá, quá, quá,quá, quá)
No cassino e no cinema
No sangue o dom de criar
E viajou
Lá foi Dolores
Que dor no coração
Mas quem pensou que a luz se apagou
Se enganou, ela voltou
Ela voltou com mais garra e inspiração
Cada vez mais sapeca, quem diria
Soltando a perereca da vizinha
Vou entrar no circo e com você sonhar
No fim da peça pra você gritar
Um bravo.....

Bravo, bravíssimo !
Mil aplausos pra você Dercy
Ao retrato de um povo
A homenagem da Viradouro.

Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

Onde os fracos não têm vez - No Country for Old Men (2007)

Direto para a seção dos 'mabasta' (mó bosta, em português paulistano). O filme não tem sentido algum, além de pensamentos esparsos, ações ininteligíveis por parte dos personagens e uma ou outra morte ou perseguição bacana. É tudo obra dos irmãos Coen. Irmãos Quem? Não, irmãos Coen (Fargo/Paris, te Amo). Um caçador encontra uma maleta cheia de dinheiro junto a um traficante morto no deserto. Um serial killer maluco e psicótico é enviado para buscar a grana de volta. Parece sim uma história legal. Parece. O filme se passa no interior norte-americano, tem algumas anedotas gringas que só seus amigos metidos a bilíngues vão fingir entender pra fazer você pensar que eles já moraram em Dallas, foram cowboys e comiam bacon no café da manhã. Pela capa e descrição que encontramos nos sites sobre cinema, parece um western fodão, desses de cair o queixo, mas na verdade não chega nem perto. No elenco Javier Bardem, Tommy Lee Jones e Woody Harrelson. Vencedor de 4 Oscars, mas o único realmente honesto foi o de ator coadjuvante para Javier Barden, o serial killer imortal da trama. Agora, premiação de melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro adaptado é sacanagem. Ganhar uma estatueta está mais fácil do que ganhar panfleto de "Compro Ouro" no centro da cidade. É outra produção dessa escola de cinema com filmes sem final. Não quero dizer "sem final feliz", sem final nenhum mesmo. Me bateu uma puta saudade do Tombstone.

Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Os Simpsons (O Filme) - Simpsons Movie (2007)

Não tenho muito o que dizer sobre este 2D. O desenho não tem o glamour tecnológico das últimas animações fotorrealistas "modinha" da Disney/Pixar e ainda assim conseguiu ser um dos mais esperados de todos os tempos. E, melacuecagens a parte, Simpsons é Simpsons e ponto final. Por isso vou poupar vocês, caros três leitores, de comentários pessoais do tipo “Uhuuul, animal” ou palavrões repetitivos como “putaqueupariu, é foda!”. O legal de desenhos como esste no cinema é por serem tudo o que um fã precisa: Um capítulo enorme, numa tela gigante. E a família Simpsons não deixou a desejar. OK, na versão dublada o Homer não tem a mesma voz das outras temporadas da Fox, mas o dublador até que engana e você acaba se acostumando. A cidade de Springfiled está uma calamidade total por conta da poluição do rio e pelas trapalhadas de Homer. Não ia contar mais para não estragar. Entretanto - e sempre existe um ‘entretanto’ - após uma busca na rede, descobri que a Wikipédia tá dando uma de Estraga-Filmes contando praticamente o roteiro todo em quatro parágrafos, portanto, vamos adiantar algumas coisas, como o Green Day tocando sobre um barco parodiando o Titanic e o sensacional porco-aranha, que provavelmente já havia virado hype por conta do trailer. E para concluir: Se a lindinha da Maggie quer uma parte II, que tipo de mortais somos nós para negar?

Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Meu Nome Não é Johnny (2008)

Selton Mello, pra mim, é mais ou menos como um novato Nicolas Cage do cinema brasileiro. Admiro muito suas participações, de verdade. Além disso, no elenco temos Júlia Lemmertz, Cássia Kiss, André di Biasi, Cleo Pires, Eva Todor, só a nata da TV Globinho. Meu Nome Não é Johnny é biográfico, sobre a vida de João Guilherme Estrella, playboy carioca que se tornou um dos maiores traficantes da cidade nos anos 80. Aí você lê o post de baixo e me diz "orra, um American Gangster nacional?" Então eu dou risada da sua cara um pouco e respondo: "passou nem perto". O que acontece para uma produção como esta ter atores tão bacanas e acabar sendo tão ridiculamente ruim? Bom, o roteiro não tem muita concordância, os personagens são todos muito vagos - incluindo o principal - e o desenrolar da história é ostensivamente mal contado. Não quero te desapontar amig@, mas isto não é Hollywood, nem o festival de Cannes. É apenas o neo-cinema brasileiro metidabesta e cheio de pose! O filme inteiro é sobre cocaína e dinheiro sujo. Posso contar também que na cadeia encontramos os presos e os policiais mais bonzinhos desde Carandiru. E a trilha sonora, que deveria salvar, é tranquila de dar raiva, mesmo nas partes mais aceleradas da trama. Sim, sou suspeito pra falar mal de cinema brasileiro, mas este filme é "mabasta!". Entretanto, não podemos dizer que a história de João Estrella não seja das melhores, portanto, talvez o livro tenha alguma chance. Ainda não cheguei a ler, e você?